Trecho retirado do Prefácio do Terceiro Volume ( 1837 ) da Segunda Edição do livro Doenças Crônicas de Samuel Hahnemann.
Assuntos: repetição de doses, soluções perecíveis e não perecíveis, aparecimento de sintomas novos e emprego do medicamento correto.
" A experiência tem-me demonstrado, como sem dúvida deve ter também demonstrado à maioria de meus seguidores, que o mais útil nas doenças de qualquer magnitude ( sem excetuar mesmo as mais agudas e, ainda mais, no caso das meio-agudas, na prolongada e na mais prolongada ) é dar ao paciente o glóbulo ou glóbulos homeopáticos poderosos apenas em solução e, esta solução, em doses divididas. Deste modo, administramos o medicamento, dissolvido em sete a vinte colheres de sopa de água, sem quaisquer adições, nas doenças agudas e muito agudas, a cada seis, quatro ou duas horas; nos casos em que o perigo é eminente, até mesmo de hora em hora ou de meia em meia hora, uma colher de sopa por vez; para pessoas fracas ou crianças (1), apenas uma parte pequena de uma colher de sopa ( uma ou duas colheres de chá ou de café ) é que pode ser dada como dose.
Nas doenças crônicas, descobri que o melhor é dar uma dose ( por exemplo, uma colher cheia ) de uma solução do medicamento adequado pelo menos a cada dois dias, e mais geralmente todo dia.
Uma vez porém que a água ( mesmo a água destilada ) começa a se estragar (2) após alguns dias, sendo deste modo destruído o poder da pequena quantidade de medicamento ali contida, é necessária a adição (3) de um pouco de álcool ou, onde isso não for exeqüível ou se o paciente não consegue suportá-lo, eu acrescento alguns pedaços pequenos de carvão vegetal duro à solução aquosa. Isto atinge o propósito, exceto que, neste último caso, em pouco dias o fluído adquire uma tonalidade enegrecida. Isto é causado pelo agitar do líquido, tal como se faz necessário antes de cada vez em que se der uma dose do medicamento, como poderá ser visto a seguir.
Antes de prosseguirmos, é importante observar que nosso princípio vital não consegue suportar que lhe seja dada, duas vezes em seguida, para um paciente, a mesma dose inalterada do medicamento (4) e, pior ainda, se mais freqüentemente. Pois que assim procedendo, o bom efeito da dose anterior do medicamento ou é neutralizada em parte ou aparecem novos sintomas próprios ao medicamento, impedindo a cura, os quais antes não se haviam se manifestado na doença (5). Desta forma, mesmo um medicamento homeopático bem selecionado produz maus efeitos e satisfaz imperfeitamente ou não satisfaz em absoluto o seu propósito. Daí decorrem as muitas contradições dos médicos homeopatas com respeito à repetições de doses.
Mas, tomando-se repetidamente o mesmo e único medicamento ( o que é indispensável para se assegurar a cura de uma doença crônica e séria ), se a cada vez a dose variar e for modificada apenas um pouco em seu grau de dinamização, então a força vital do paciente irá receber calmamente de bom grado, o mesmo medicamento, inclusive a intervalos breves, muitas e muitas vezes seguidas, com os melhores resultados, aumentando de cada vez o bem-estar do paciente. (6) "
Obs: nessa época o medicamento era preparado de maneira diferente. era empregado apenas 10 sucussões nos frascos, após cada diluição. Já hoje é empregado 100 sucussões, o que pode mudar, em alguns casos, a freqüência de uso correto do medicamento.
Nota 1: percebam que Hahnemann empregava doses menores ( para ter um estímulo menos forte ) em pacientes que ele considera mais frágeis.
Nota 2: solução perecível.
Nota 3: solução não perecível- adição de álcool ou carvão à solução.
Nota 4: dose inalterada- por isso não é recomendado que se tome repetidas vezes os glóbulos secos ou em líquidos, sem alterar um pouco o grau de dinamização antes de cada tomada.
Nota 5: efeitos da repetição incorreta do medicamento homeopático.
Nota 6: maneira correta de se repetir o medicamento homeopático.
Bibliografia:
Doenças Crônicas ( Segunda Edição )- volume 3 do ano de 1837. De Samuel Hahnemann. - Oitava edição brasileira de 2020- tradução pelo GEHSP- Benoit Mure.
Reinaldo Massaharu Senaga
Médico Veterinário Homeopata
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