terça-feira, 11 de outubro de 2022

Repetição de doses, de 1837 em diante.

Trecho retirado do Prefácio do Terceiro Volume ( 1837 ) da Segunda Edição do livro Doenças Crônicas de Samuel Hahnemann. 

Assuntos: repetição de doses, soluções perecíveis e não perecíveis, aparecimento de sintomas novos e emprego do medicamento correto.

 " A experiência tem-me demonstrado, como sem dúvida deve ter também demonstrado à maioria de meus seguidores, que o mais útil nas doenças de qualquer magnitude ( sem excetuar mesmo as mais agudas e, ainda mais, no caso das meio-agudas, na prolongada e na mais prolongada ) é dar ao paciente o glóbulo ou glóbulos homeopáticos poderosos apenas em solução e, esta solução, em doses divididas. Deste modo, administramos o medicamento, dissolvido em sete a vinte colheres de sopa de água, sem quaisquer adições, nas doenças agudas e muito agudas, a cada seis, quatro ou duas horas; nos casos em que o perigo é eminente, até mesmo de hora em hora ou de meia em meia hora, uma colher de sopa por vez; para pessoas fracas ou crianças (1), apenas uma parte pequena de uma colher de sopa ( uma ou duas colheres de chá ou de café ) é que pode ser dada como dose.

  Nas doenças crônicas, descobri que o melhor é dar uma dose ( por exemplo, uma colher cheia ) de uma solução do medicamento adequado pelo menos a cada dois dias, e mais geralmente todo dia.

  Uma vez porém que a água ( mesmo a água destilada ) começa a se estragar (2) após alguns dias, sendo deste modo destruído o poder da pequena quantidade de medicamento ali contida, é necessária a adição (3) de um pouco de álcool ou, onde isso não for exeqüível ou se o paciente não consegue suportá-lo, eu acrescento alguns pedaços pequenos de carvão vegetal duro à solução aquosa. Isto atinge o propósito, exceto que, neste último caso, em pouco dias o fluído adquire uma tonalidade enegrecida. Isto é causado pelo agitar do líquido, tal como se faz necessário antes de cada vez em que se der uma dose do medicamento, como poderá ser visto a seguir. 

  Antes de prosseguirmos, é importante observar que nosso princípio vital não consegue suportar que lhe seja dada, duas vezes em seguida, para um paciente, a mesma dose inalterada do medicamento (4) e, pior ainda, se mais freqüentemente. Pois que assim procedendo, o bom efeito da dose anterior do medicamento ou é neutralizada em parte ou aparecem novos sintomas próprios ao medicamento, impedindo a cura, os quais antes não se haviam se manifestado na doença (5). Desta forma, mesmo um medicamento homeopático bem selecionado produz maus efeitos e satisfaz imperfeitamente ou não satisfaz em absoluto o seu propósito. Daí decorrem as muitas contradições dos médicos homeopatas com respeito à repetições de doses.

 Mas, tomando-se repetidamente o mesmo e único medicamento ( o que é indispensável para se assegurar a cura de uma doença crônica e séria ), se a cada vez a dose variar e for modificada apenas um pouco em seu grau de dinamização, então a força vital do paciente irá receber calmamente de bom grado, o mesmo medicamento, inclusive a intervalos breves, muitas e muitas vezes seguidas, com os melhores resultados, aumentando de cada vez o bem-estar do paciente. (6) "


Obs: nessa época o medicamento era preparado de maneira diferente. era empregado apenas 10 sucussões nos frascos, após cada diluição. Já hoje é empregado 100 sucussões, o que pode mudar, em alguns casos, a freqüência de uso correto do medicamento. 

Nota 1: percebam que Hahnemann empregava doses menores ( para ter um estímulo menos forte ) em pacientes que ele considera mais frágeis.

Nota 2: solução perecível.

Nota 3: solução não perecível- adição de álcool ou carvão à solução.

Nota 4: dose inalterada- por isso não é recomendado que se tome repetidas vezes os glóbulos secos ou em líquidos, sem alterar um pouco o grau de dinamização antes de cada tomada.

Nota 5: efeitos da repetição incorreta do medicamento homeopático.

Nota 6: maneira correta de se repetir o medicamento homeopático.


Bibliografia:

Doenças Crônicas ( Segunda Edição )- volume 3 do ano de 1837. De Samuel Hahnemann. - Oitava edição brasileira de 2020- tradução pelo GEHSP- Benoit Mure.


Reinaldo Massaharu Senaga 

Médico Veterinário Homeopata

Atendimento em domicílio nas cidades de São Caetano do Sul, Santo André, São Bernardo do Campo e São Paulo

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whatsapp: (11) 99921 9447

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Trecho do Prefácio no Terceiro Volume da Segunda Edição do livro Doenças Crônicas ( 1837 )

 "  Quando eu ainda estava administrando o medicamento em porções inteiras ( undivided ), cada uma delas com um pouco de água por vez (1), muitas vezes notava que a potencialização nos frascos de atenuação, efetuada por dez movimentos de agitação, era demasiada forte ( isto é, a ação medicamentosa estava excessivamente desenvolvida ) e, portanto, eu aconselhava apenas duas sucussões. Porém, ao longo dos últimos anos, desde que venho administrando todas as doses dos medicamentos em soluções não perecíveis (2), divididas pelo prazo de quinze, vinte ou trinta dias e até mais, não encontrei mais potencializações demasiado fortes nos frascos de atenuação e uma vez mais uso dez sucussões em cada um. Neste momento, por conseguinte, retiro o que escrevi a este respeito há 3 anos, no primeiro volume deste livro, à pág. 149 ( página da edição inglês ). "


Nota 1- era uma quantidade ( dose ) muito maior ( não dividida- undivided ).

Nota 2- soluções não perecíveis- adicionada de pedaços de carvão ou álcool. Com isso poderia utilizar por mais tempo a solução e assim administrar em um maior número de dias, portanto em doses muito menores.  

Conclusão- a causa das agravações ,nesse caso, se devia não ao aumento do número de sucussões ( de 2 para 10 ), mas sim devido ao tamanho excessivo da dose empregada anteriormente.

Obs 1: lembrando que antes de cada tomada, a solução tem que ser um pouco agitada.

Obs 2: a água sem adição de pedaços de carvão ou álcool, estraga em 3 dias ( solução perecível ).


Bibliografia:

Doenças Crônicas ( Segunda Edição )- volume 3 do ano de 1837. De Samuel Hahnemann. - Oitava edição brasileira de 2020- tradução pelo GEHSP- Benoit Mure.


Reinaldo Massaharu Senaga 

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